Convergências afetivas, fotografia e memória. Reminiscências de uma vida familiar, de uma sociedade em particular e da relação entre diferentes linguagens. Com o tema sobre a poética e identidade na fotografia autoral, a fotógrafa paulista Lucille Kanzawa realizou no dia 29 de maio uma palestra especial na Faculdade Cambury e, no dia 31 de maio e 1 de junho ela promoveu um workshop na WA Imagem.
Com diversos prêmios em seu currículo, a exemplo do Prêmio Sesc de Fotografia e Marc Ferrez, durante o encontro, Lucille buscou estabelecer uma perspectiva dialógica, levando os participantes a identificarem e compreenderem como o cinema, a literatura e as artes visuais influenciam o olhar fotográfico. Os alunos puderam levar trabalhos pessoais para seleção e análise, como forma de se promover uma troca de experiências.
A autora, que se apega fortemente a sua ancestralidade, também viajou o mundo, por cerca de 50 Países, nos muitos anos em que voava como comissária. Neta de japoneses, seus avós paternos eram de Negano e, os maternos, de Fukushima, no Japão. Paulista de Mirandópolis, Lucille frequentou o Grupo Luminous de Fotografia e apresentou suas obras em importantes exposições.
A paulista também recebeu vários prêmios e a menção honrosa do I Concurso Riguardare de Fotografia Um olhar atento sobre São Paulo e foi selecionada para participar do projeto Povos de São Paulo. Durante o workshop, a fotógrafa deu dicas de como desenvolver um projeto pessoal e mostrou formas de se apresentar trabalhos em editais, concursos, galerias e museus.
De acordo com ela, a palestra e os workshops serviam para promover o diálogo entre diferentes profissionais ligados à imagem. Lucille ainda apresentou o seu trabalho e relatou suas experiências com exposições. Os alunos foram introduzidos à composição poética com base na emoção, sensibilidade e envolvimento com o assunto fotografado.
“Acredito que sempre é possível amadurecer o olhar. Tudo que leio, que assisto ou vejo reflete no meu trabalho enquanto fotógrafo. Como vim do mundo da literatura, muitos críticos dizem que minhas fotos são poesias em forma de imagem. Literatura é feita de imagens, e as imagens que criamos, ao ler, acabam me forçando a fotografar”, reitera a artista.
Quem participou do encontro pôde conferir um pouco do trabalho de Lucille. De acordo com Maíra Zenum, que participou do workshop, são projetos como o F5 que colaboram para se criar mais pensadores da fotografia. “As cidades precisam ter espaços como este em que possamos pensar a fotografia de forma mais dinâmica, aliado a fotógrafos experientes e que realizam essa troca de experiências”, conta.
Para a estudante de fotografia Elisa Assis, as palavras de Lucille fizeram ela viajar para todo o universo que a fotógrafa conta através das imagens. “Foi fantástico que Lucille falou para nós. Me fez ter mais vontade ainda de viajar por esse universo. Quanto mais aprendo sobre essa arte, mais vejo coisas pra aprender!”, exclama.
Já para a outra estudante de fotografia, Halanda Andretto, o contato com a fotografia de Lucille foi fundamental para o seu trabalho autoral. De acordo com ela, muitas das referências de Lucille contribuíram para as suas pesquisas em fotografia. “Depois desse contato com Lucille Kanzawa, eu me redescobri na fotografia. Agora eu sei, que posso fazer uma grande ligação entre a fotografia e a língua e cultura japonesa. E poderei criar diversos projetos fotográficos maravilhosos e um dia realizarei meu sonho de infância de publicar um livro.”
A primeira edição do Projeto F5 conta com a vinda de cinco grandes fotógrafos de diversas partes do país para ministrarem workshops: Claudio Edinger, Paula Sampaio, Valdemir Cunha, João Ripper e Lucille Kanzawa. Os workshops acontecem entre março e junho de 2014 e abordam temas relacionados à fotografia contemporânea, promovendo a troca de experiências e contribuindo na orientação, atualização, formação profissional e artística dos participantes.

(texto: Clenon Ferreira / Fotos: Pablo Regino e Wagner Araújo)