Mosaicos visuais de João Ripper

O carioca João Ripper veio a Goiânia no dia 08 de maio e promoveu discussões com a temática “O belo na quebra dos estereótipos”


Cobertura fotográfica de conflitos sociais, defesa dos direitos humanos, documentação sobre trabalho escravo e formação de grupos de discussões sobre a seca no Nordeste. Considerado um dos precursores da fotografia documental, o fotógrafo João Ripper veio a Goiânia no dia 08 de maio, e promoveu a palestra “O belo na quebra dos estereótipos“, na Faculdade Cambury. O carioca ainda deu o workshop nos dias 10 e 11, sobre o seu trabalho autoral e suas ações com a fotografia e movimentos sociais.

Fundador e coordenador da organização não governamental “Imagens da Terra”, entidade de defesa dos direitos humanos, Ripper atua principalmente em fotografias de conflitos que acontecem no Brasil, a exemplo do trabalho infantil, nas favelas, índios, trabalho escravo e movimento dos sem-terra. Ele é idealizador da Agência Escola de Fotógrafos Populares Imagens do Povo, projeto do Observatório de Favelas.

O fotógrafo passeia por entre a fotografia documentarista e humanista que divulga, com imagens realísticas, as dificuldades, os anseios, a luta e também as boas iniciativas de populações tradicionais, desamparadas pelas autoridades políticas. O trabalho de Ripper, registrado através de sua câmera – sem estereótipos – como ele mesmo descreve, emociona.

Atualmente é professor do curso de Pós-Graduação em ‘Fotografia como Instrumento de Pesquisa nas Ciências Sociais’, da Universidade Cândido Mendes (Rio de Janeiro). Desde 1995 coordena oficinas de treinamento para professores universitários e da rede de ensino médio e estudantes. O objetivo é formar monitores para desenvolver trabalhos junto à rede de escolas do ensino médio sobre trabalho infantil e trabalho escravo.

De acordo com Ripper, a fotografia serve tanto como denúncia quanto para contar as histórias dos fazeres e do imaginário popular. “É possível ver beleza e quebrar a história única de que são as vítimas as populações, como moradores das favelas, trabalhadores rurais, quilombolas, índios, pescadores. Através da fotografia, à medida que amadurece o olhar, aprendemos a ser um elo que aproxima os fotógrafos das pessoas que olham suas histórias.”

Há 13 anos o fotógrafo faz documentação social em comunidades indígenas do Mato Grosso do Sul, principalmente entre os Guaranis-kaiowás. Também documenta trabalho escravo e infantil, com enfoque especial para fazendas na Amazônia, principalmente no sul do Pará, e projetos de recuperação de crianças, além de atividades de grupos de profissionais como carvoeiros, caranguejeiros e marisqueiras.

E o workshop deu muito que falar. De acordo com a fotógrafa Daniela Siqueira, é fantástico a forma com que o Projeto F5 reitera a necessidade de se discutir a fotografia de forma teórica e prática. “Fiquei sabendo do projeto através das redes sociais. E é impressionante a forma que é desenvolvido o workshop, dinâmico, ainda mais em Goiânia, que não há cursos e palestras sobre fotografia.”

É o mesmo que a goiana Clarice Alves diz. Para ela, a palestra é uma forma de se promover o contato com fotógrafos reconhecidos em todo o País. “A palestra com o João Ripper foi emocionante, nos mostrou fotos maravilhosas e nos contou lindas histórias, repletas de amor. Obrigada ao João e mais uma vez a WA Imagem.”

Já para a cineasta Cássia Queiroz, mesmo com o curto tempo de workshop, cria-se a possibilidade de diálogo e troca de experiências com fotógrafos de outras regiões, e com os próprios participantes. “Acredito que o Projeto F5 seja apenas a abertura de um projeto maior. É maravilhoso poder ter esse acesso ao debate e ao diálogo com tantos fotógrafos e artistas que estão envolvidos com a produção fotográfica”, conta.

Para a produtora audiovisual Claudia Melissa, que é professora no curso de Comunicação Social na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás), é necessário que tenham mais projetos que se firmam com a proposta de levar a linguagem visual para debate e para a prática, com determinados profissionais que trabalha com fotografia há tempos. “Goiânia precisa de mais projetos que passeiam por entre as artes visuais e a fotografia. Com certeza quero participar de outras edições do Projeto F5.”

Promovido pela WA Imagem com apoio da Lei Goyazes de Incentivo à Cultura, a primeira edição do Projeto F/5 conta com a vinda de cinco grandes fotógrafos de diversas partes do país para ministrarem workshops: Claudio Edinger, Evandro Teixeira, Valdemir Cunha, João Ripper e Lucille Kanzawa. Os workshops acontecem entre março e junho de 2014 e abordam temas relacionados à fotografia contemporânea, promovendo a troca de experiências e contribuindo na orientação, atualização, formação profissional e artística dos participantes.

(Texto: Clenon Ferreira)



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *